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Madre Mazzarello
Foi em Mornese,
situado no norte da Itália, na região de Monferrato, que no dia 9 de maio de 1837, nasceu Maria Domingas Mazzarello, filha de José Mazzarello e de Maria Madalena Calcagno. Foi
a primeira de 10 filhos.
Mornese é uma região que possui terra forte e árida, aberta ao sol e ao vento, onde
se cultivava o trigo, e os vinhedos se alternavam com pinheiros e pequenos bosques.
Habitada por famílias profundamente cristãs, apegadas às tradições que formavam,
sobretudo, personalidades robustas na fé, na honestidade, no trabalho e na prática da
caridade.
Com oito anos, Maria Mazzarello sai de casa para
fazer companhia a um casal sem filhos. Esta convivência, as
visitas à igreja e as orações, foram muito
importantes para sua formação cristã. Após
alguns meses, volta para casa, para cuidar dos irmãos menores e
ajudar nos afazeres domésticos. Aos 16 anos, já ajudava
seu pai no trabalho dos vinhedos.
Sua família cresceu unida em volta de sua mãe, sempre
expansiva e alegre, passando
aos filhos sua formação religiosa. Com a ajuda
de seu pai, Maín (apelido de Maria), alfabetizava-se. Começou a freqüentar as aulas de catecismo e a
sobressair-se. Em 1850 fez a primeira comunhão.
Assim, Maín tornou-se
adolescente, como todas as outras: trabalhava muito
na lavoura, rezava muito... Teve entusiasmos, desânimos e crises
de idade. Porém, já notava-se nela forte caráter
e espírito de liderança e a capacidade de ter pessoas sempre
ao seu redor. Cresceu em ambiente humilde, harmonioso, típico de
gente camponesa, amante da terra, das próprias tradições.
Em 1860, o tifo abateu a vila de Valponasca. A família de seu tio
foi uma das primeiras a contrair a doença. Maria vai ajudá-los,
mesmo sabendo que poderia contrair a doença, o que realmente aconteceu.
Mazzarello vê o rumo de sua vida mudar
quando contraiu tifo. Não podendo mais trabalhar no campo, decide aprender a
costurar para ensinar as jovens da sua pequena cidade. Com suas amigas, monta uma
sala de costura e começa a ensinar o ofício às meninas.
Certa vez, ao caminhar pela colina de Bargo Alto, vê diante de
si um alto edifício com muitas meninas correndo, brincando num
grande pátio interno e ouve nitidamente estas palavras:
"Tome
conta destas meninas!"

Quase todos os dias,
bem cedo, Maria descia de Valponasca para freqüentar
a missa, acompanhada de sua irmã e outras moças.
No inverno,
esse percurso ficava ainda mais difícil, devido ao frio e a neve.
Se chegavam e a igreja ainda não abrira, recolhiam-se
numa estrebaria próxima e ficavam esperando em oração.
Isto mostra o espírito de devoção da doce Maín.
O pároco, Pe. Pestarino, muitas vezes
chamava o povo para orações
e benção eucarística também à noite.
Maria
não podia ir, mas encontrava um meio de participar de tais reuniões,
através de uma janelinha da casa, da qual podia avistar a fraca
claridade das velas acesas, refletidas nos vitrais da igreja.

Esse hábito de rezar e agradecer
a Deus diante daquela
janela, passa, aos poucos, a agradar a todos de sua família, que
se reuniam, ali, ao cair da noite, junto a Maria Domingas.
A partir de
1853, passou a freqüentar a Pia União da Imaculada, organizada
por sua amiga Ângela Maccagno, juntamente com outras moças da comunidade.
Tinha a finalidade de consagrar sua vida a Deus, cultivando a modéstia,
o recato, a amabilidade e a paciência. Instruída pelo pároco,
Ângela preparou uma regra de vida, que foi enviada à Gênova,
para aprovação.
O grupo reunia-se na casa da fundadora
onde eram feitas
leituras espirituais e reflexões sobre o modo de agir.
Mesmo faltando um regulamento definitivo,
este grupo crescia e motivava a vida religiosa de Mornese.
Neste mesmo período, em Turim (1854), aconteceu algo semelhante,
envolvendo homens. Dom Bosco e mais alguns padres reuniram-se e propuseram,
com a ajuda do Senhor e de São Francisco de Sales, um novo modo
de vida, inspirado na caridade ao próximo: nasce assim os Salesianos.
O grupo começa, oficialmente,
em 1855. Em 20 de maio de 1857, o Bispo de Acqui, Dom
Contratto, aprovava definitivamente seu regimento.
Maria Domingas atuava dentro do grupo, demonstrando ter encontrado o
que procurava: uma nova família, com regras certas, ligadas fortemente
à atividade paroquial, apostolado e à prática da
caridade. Uma família à parte, pequena e reservada, que
no entanto, não se separava da família natural. Pe. Pestarino
era o chefe do grupo e Ângela era a superiora natural, tratada assim por
todas.
Com a amiga Petronilla, Maria Mazzarello resolve aprender costura e
abrir um salão para ensinar o ofício para as meninas pobres.
E assim aconteceu. O sonho se realizou e Maria Mazzarello conseguiu alugar uma sala. Logo
as famílias começaram a mandar-lhe as filhas e as aulas
de costura tornaram-se aulas de treinamento na virtude.
Os projetos de Deus continuavam: um dia, um senhor que havia ficado
viúvo, entregou-lhe suas filhas para que as educasse. Logo, a oficina
passou a ser um novo lar para as várias meninas, que viam em Maria
sua segunda mãe.
Com o passar do tempo, todos os domingos, após a missa, na praça
da igreja, outras crianças se uniam a Maria e a Petronilla, para
brincar e divertir-se.
Em 1864, Dom Bosco chegou a Mornese
com seus meninos, e todos queriam vê-lo e ouvi-lo. Maria rompeu seu isolamento e foi vê-lo.
Dom Bosco falou de seu projeto: construir um colégio para seus
meninos.
Antes
de partir, Dom Bosco falou com as filhas de Maria Imaculada e ficou conhecendo
a iniciativa de Maria e Petronilla, a oficina de costura, o orfanato e a recreação
aos domingos para todas as crianças da vila. Dom Bosco recomendou,
além da oração, muito trabalho.
Dom Bosco se empolga com o trabalho de Maria Mazzarello e
lhe propõe a fundação de um instituto feminino com o mesmo objetivo dos salesianos.
Daí a poucos dias, com muito entusiasmo, iniciou-se a construção
de um colégio.
Padre Pestarino, que se tornara Salesiano, foi chamado a Turim e recebeu
a notícia de que o Papa havia aprovado o projeto de Dom Bosco:
fundar uma congregação feminina. Como em Mornese estavam
as iniciantes, determinou que o colégio em construção fosse delas.
Mazzarello vê assim, a concretização de um
sonho: fazer pelas meninas o que João Bosco vinha fazendo pelos meninos.
Em 5 de agosto de 1872,
em Mornese, na capela do Colégio, 11 filhas da Imaculada
recebem os votos religiosos e consagram a Deus. São as primeiras
Filhas de Maria Auxiliadora. Outras 4 receberam o hábito em março
do ano seguinte.
A comida era escassa.
Maria deixava de comer, muitas vezes, para que as crianças o fizessem.
Muitas vezes, a castanha era o único recurso que as alimentava. Uma nova
postulante chega ao colégio e lhes dá algum dinheiro, com o qual compram
uma vaca.

Com o passar do tempo, chegavam
novas postulantes e o colégio tinha necessidade de professoras.
Algumas delas aderem à Congregação, tocadas pela mão de Deus.
Em 1874, um grupo parte para uma nova fundação em São Martinho.
Em 1877, Dom Bosco pede voluntárias para as missões na América Latina.
Madre Mazzarello era o coração daquela obra, que da Itália estava a ponto
de se expandir para o resto do mundo.
Ainda em 1877, em Nizza - Monferrato, Dom Bosco adapta para as meninas, um
antigo convento Franciscano. É instalado assim, o colégio Nossa Senhora
das Graças, como Casa Central das Filhas de Maria Auxiliadora.
Maria Mazzarello, a superiora, era muito empenhada em sua tarefa de condução da
Irmãs e educandas à nova casa, atenta a manter a união.
Agia, assim, solícita na instalação de outras casas em território
italiano, viajando em visita de uma para outra. Observava que havia
abundância em algumas casas e penúria em outras. Madre Mazzarello sempre as
confortava, falando do sacrifício que acompanhou o início do Instituto.
Em 1881, Madre Mazzarello sabia que seu fim estava próximo, e
pediu à Madre Josefina que fosse para a América em seu lugar.
Madre Mazzarello falece no dia 14 de maio de 1881.
Ela teve uma vida breve, 44 anos, mas foi uma chama de amor contagiante.
Suas filhas continuaram alimentando esse trabalho em todos os continentes,
fiéis aos ideais de Dom Bosco e de Madre Mazzarello.
Graças a Mazzarello, foi assegurado o futuro glorioso da Congregação que Dom Bosco
quis fundar com um monumento vivo de sua gratidão a Virgem Auxiliadora.
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